quarta-feira, 23 de abril de 2014

Elvis Presley - A Vida Na Música - Ernst Jorgensen

Um dia estou eu andando pelo shopping (coisa que não é lá muito o costume do Baratta, mas quando a gente namora, bom deixa pra lá) eis que resolvo entrar numa livraria que vende de tudo agora também né? Enfim, lá fui eu na seção sobre música. Não exatamente uma biografia, mas esse livro já chama atenção pelo nome: Elvis Presley A Vida Na Música de Ernst Jorgensen da editora Larousse.
O livro é de 2010 e trata do assunto música. Sim, as sessões de gravação de Elvis que gravou de 1954 até 1977 pela Sun e pela RCA. Graças a Jorgensen que a obra de Elvis vem sendo resgatada e revelada em toda sua amplitude. Follow That Dream seria um ótimo título alternativo para o livro do autor dinamarquês que seguiu o seu sonho de ter contato extremo com a música e obra de Elvis Presley. Hoje ele trabalha na RCA, é o idealizador de boxes como o “Platinum – A Life In Music”, “The King Of Rock´ n Roll – The Complete 50´s Masters” entre outras. Você gosta dos CDs do selo FTD? Agradeça ao Ernst. Foi ele que deu vida ao selo FTD. Um selo de origem dinamarquesa e que relança vários discos de Elvis com outtakes, versões desconhecidas, praticamente tudo das sessões de gravação, além de gravações de shows, muitos shows. O livro fala das sessões de gravação, para tal, o autor conversou com muitos músicos, produtores, executivos da RCA, pois muitas das fitas originais estavam apenas datadas. Mas e as histórias? O que aconteceu durante as gravações? Como foram as gravações da época da SUN? Porque a fase dos anos 60 é uma das mais ricas para Elvis? Além dos músicos que já conhecemos, quem tocou o contra baixo em (You´re So Square) Baby I Don´t Care? Qual era o horário habitual de Elvis para gravar? Quais as conexões entre as sessões de gravação com a sua biografia, o que Elvis estava vivendo durante a gravação de um disco? Quais as histórias em torno do Aloha From Hawaii? E sobre o Comeback de 1968? Essas e outras respostas e revelações estão contidas nesse livro com preço em média de R$ 60,00.
Pra variar a primeira vez que eu vi esse livro na frente (lógico, o Baratta né?) estava sem dinheiro. Então o que fiz? Sentei no chão da livraria, procurei e li a parte sobre as sessões de gravação do meu disco xodó do Elvis: Elvis Today de 1975. Algum tempo depois acabei ganhando o livro de natal.
Recomendadíssimo e obrigatório a quem é fã ou não é fã de Elvis. O livro é mais do que indicado para músicos ou quem trabalha na indústria da música.
Já li o livro duas vezes, em breve a terceira.
Não deixe de ler.

Texto Baratta

terça-feira, 8 de abril de 2014

Elvis In Concert 1977


Desde a triunfal volta de Elvis aos palcos em 1969, até o seu último show em Indianápolis em 26 de junho de 1977, Elvis nunca parou de fazer shows, foi contínuo. Embora hoje exista bem mais material oficial da década de 70, ainda falta coisa. Mas pensemos no que havia de oficial (cinema e TV) na época. Como primeiro registro, temos o filme “That´s The Way It Is” que marca a volta aos palcos em Las Vegas, um filme e documentário sobre toda a agitação dos ensaios, momentos de backstage, e o show em si. Dois anos depois, é lançado o “Elvis On Tour” que trata das turnês de Elvis naquele período de 1972. Cenas de backstage, correria de uma cidade para outra, entrada, saída do palco, corrida para o carro, recepção dos fãs no aeroporto, gente pra lá de emocionada na plateia, montagem dos equipamentos de som, Elvis e seu momento gospel com banda, um excelente filme. Um ano mais tarde o primeiro show transmitido Via Satélite. “Aloha From Hawaii”. Aclamado no mundo todo, um Elvis bem mais maduro, em plena forma, mostra para o mundo que sim: Um especial emocionante desde a chegada de helicóptero, no palco seus primeiros sucessos, alternados com versão para Something dos Beatles, My Way, What Now My Love, resumindo, um baita show que ainda emociona quem assiste mesmo depois de 41 anos.
Mas, e de 1973 para frente? O que teve de oficial? Infelizmente somente os discos, um ou outro vídeo ainda surge (nos dias de hoje), vale ressaltar, que o show de Elvis em 20 de março de 1974 no Mid-South Coliseum em Memphis, daria um belo registro em vídeo. Mas nem tudo está perdido, o show saiu no disco Elvis As Recorded Live On Stage In Memphis. Disco que aliás completa 40 anos em 2014. Mas apenas só temos o registro em disco. Sabe-se que a TV local na época fez sim algumas filmagens durante o show, agora: eu acredito em minha humilde opinião que não foi veiculado pela TV.
O show de ano novo no último dia de 1976 em Pittsburgh, contido no FTD “New Years Eve” daria outro belo registro em vídeo. Elvis não está tão gordo e inchado como se vê nos últimos registros que falaremos em instantes, ele está mais brincalhão, o som está de primeira. Quem sabe não lançam isso algum dia?
Mas o mundo esperaria por outro vídeo oficial até 1977. Há quem diga que em 1977 Elvis já não vendia tantos discos como antes, que era um astro decadente, que não tinha o mesmo alcance e que (absurdo) somente os fãs mais ardorosos ainda iam a seus shows e isso dito por fãs, orra meu, dói, machuca ler um troço desse. Mas enfim. Estamos aqui pra defender Elvis até o último minuto.
O Especial da CBS
Recentemente li a informação que o Coronel em uma manobra desesperada teria negociado um novo contrato para um show televisivo.
Elvis In Concert, seria veiculado pela CBS. Com o material gravado de dois shows, Omaha em 19 de junho de 1977, e Rapid City em 21 de junho de 1977.
Apesar de Elvis não estar na sua melhor forma, ele dá sim o melhor de si. Elvis tinha um compromisso muito sério com o seu público. Isso é informação de amigos meus que tem ligação e horas e horas de bate papo com os membros da TCB Band. Elvis era um artista assim: O público pagou para me ver e terá o melhor show que eu puder fazer! Ele tinha esse compromisso, ele tinha essa preocupação e respeito com o seu público.
O especial foi focado na última turnê de Elvis. Toda a movimentação de montagem da aparelhagem de palco, retorno, uma equipe dedicada trabalhando para que nada desse errado, os fãs comentando, falando tudo sobre Elvis, muitos fãs inclusive usando o mesmo estilo de corte de cabelo de Elvis por influência, andar igual ao seu ídolo. Diferentemente de hoje em dia de (seres estranhos tentando ser Elvis) o que é um absurdo. Elvis é único.
Pois bem, os fãs comentando, montagem de palco, momentos antes do show onde tudo é comercializado, botons, pôsteres, revistas, pipoca, refrigerante, tudo antes do espetáculo começar. Eis que os primeiros acordes de “Also sprach Zarathustra (Theme from 2001: A Space Odyssey) mostra um Elvis Presley diferente do que estávamos acostumados a ver no Aloha, ou no On Tour, bem distante da forma física do Elvis do Comeback Special, mas ele caminha até o palco entre cortinas seguido dos seus “amigos” da Máfia de Memphis. Joe Esposito ao seu lado, rindo (provavelmente Elvis soltou uma de suas piadas, sempre fazia uma piadinha). Sim senhoras e senhores, ELE SIM É O REI. Uma parada, um gole de água? Refrigerante? Uma olhadinha pro lado, o famoso sorriso cativante e faz uma inflexão como se rezasse antes de entrar no palco. Mr. Ronnie Tutt desce o braço na bateria no riff de abertura e o rei sobe as escadas em direção ao palco. A cena tantas vezes descrita de um início de show de Elvis, flashes, flashes e mais flashes explodindo na escuridão tentando captar um movimento dele, o maior ícone da música de todos os tempos. Em sua fisionomia, ele está parecidíssimo com Gladys, sua mãe. E de repente o vozeirão ecoa pelo local do evento cantando See See Rider, That´s All Right, Are You Lonesome To-night?, que a CBS dá uma baita cortada colocando os fãs comentando. O Medley com (Let Me Be Your) Teddy Bear / Don´t Be Cruel e nesse momento Elvis sai distribuindo suas echarpes mostrando todo o carisma que possui, todo mundo corre para chegar perto ou pelo menos tocá-lo com as pontas dos dedos. You Gave Me A Moutain, um final diferente em Jailhouse Rock, fãs comentando, um entre eles diz: Eu amo esse cara...
How Great Thou Art e Elvis tem um alcance fantástico da voz logo na mudança de andamento da canção. Diga-se de passagem, é a versão do In Concert de 1977 que eu mais gosto. Cenas de fãs chegando de fãs clubes da Inglaterra. Claro, é só um exemplo, pois fãs vinham de todas as partes do mundo. “Early Morning Rain”, rola na apresentação da banda. “I Really Don´t Want To Know”. Na sequência Elvis apresenta seu pai Vernon, sua namorada Ginger Alden e dá tudo de si em “Hurt”, puxa “Hound Dog” como que de surpresa. “My Way” numa das melhores versões que eu já ouvi e “Can´t Help Falling In Love” e trechos de seu pai Vernon falando sobre a carreira e mostrando algumas cenas em Graceland.
O final, um emocionado Vernon direto de seu escritório em Graceland, Vernon mal consegue falar, respira fundo, tenta tirar forças para falar, é de tocar o coração da gente. No escritório estão milhares, talvez mais de um bilhão de cartas para Elvis que tinha falecido em 16 de agosto de 1977. O especial foi veiculado em outubro. Foi lançado um disco duplo com o nome Elvis In Concert contendo algumas poucas gravações do show de Omaha e 80% do material de Rapid City.
Uma breve análise: Dizem que o In Concert nunca foi lançado oficialmente, pois Elvis está com a aparência péssima e isso prejudicaria a sua imagem. O que vemos no In Concert é um Elvis sim diferente fisicamente, visivelmente cansado, mas com um alcance vocal fora dos limites. Elvis está com o carisma de sempre. Elvis não fica parado o tempo todo em um lugar do palco, circula, pode não ter mais os mesmos movimentos do que em 1970, mas prende a nossa atenção o tempo todo.
Tentando resumir (coisa meio difícil quando falamos de Elvis): O especial da CBS é obrigatório para todo o fã, não foi lançado oficialmente em VHS ou DVD, apesar de existirem para baixar, é fácil achar.
Confesso que a primeira vez que vi esse especial, poxa, claro, pensei estar faltando coisa, aí fuça daqui, fuça dali e fico sabendo que eram sim dois shows. Bom e agora pra ter os dois shows? Então, entra em cena: Baratta, O Neurótico!
Telefona daqui, fala com um dali e entro em contato com o saudoso Marcelo Costa, presidente do maior e mais sério fã clube de Elvis Presley de todos os tempos. O São Paulo Elvis Presley Society (SPEPS).
Encomendei com ele o Rapid City em VHS. Nossa! Pra quê?
Mostra Elvis chegando de carro, indo para o camarim, recebendo uma condecoração da cidade, posando pra foto e a cena que deixa todo coração de todo fã estremecer: O caminhar de Elvis Presley para o palco. Até então, já tinha visto cenas reveladoras, nunca vistas antes. Pensa, eu mal tinha o meu primeiro computador, mas enfim, lá estava eu assistindo o Rapid City, onde de repente eu vejo que teve uma falha na See See Rider, logo no início, não, não era a fita, era Elvis e TCB Band que pararam por um instante e continuaram numa boa. Depois o começo da I Got Woman que eu há anos vinha escutando no disco In Concert de outubro de 1977. Opa, comékié? Mais fala? Mais improviso da parte do Elvis, então... Péra, dexovê se eu entendi: No disco tá editado, no especial da CBS nem sombra disso tinha. Sim senhoras e senhores. Não basta ter o Especial da CBS e o disco Elvis In Concert apenas. É preciso ter também o show de Rapid City, Omaha (por mais que todo mundo desça a lenha), o show é maravilhoso, mas de fato em Rapid City, Elvis está bem mais solto.
Isso porque não mencionei o material The Final Curtain – Box com seis DVDs isso, seis creio que da turnê, o lançamento é da Box Car. Mas esse eu ainda vou esperar ter em mãos para comentar.


Show de Omaha – 19 de Junho
Show de Rapid City – 21 de Junho
See See Rider
See See Rider
I Got a Woman / Amen
I Got a Woman / Amen
That´s All Right
That´s All Right
Are You Lonesome Tonight?
Are You Lonesome Tonight?
Love Me
Love Me
Fairytale
If You Love Me (Let Me Know)
Little Sister
You Gave Me A Moutain
(Let Me Be Your) Teddy Bear / Don´t Be Cruel
Jailhouse Rock
And I Love You So
O Sole Mio / It´s Now Or Never
Jailhouse Rock
Trying to Get to You
How Great Thou Art
Hawaiian Weeding Song
Early Morning Rain
(Let Me Be Your) Teddy Bear / Don´t Be Cruel
What´d I Say
My Way
Johnny B. Goode
Early Morning Rain
I Really Don´t Want to Know
What´d I Say
Hurt
Johnny B. Goode
Hound Dog
I Really Don´t Want to Know
O Sole Mio / It´s Now Or Never
Hurt
Can´t Help Falling in Love
Hound Dog

Unchained Melody

Can´t Help Falling in Love


TCB Band 

Guitarra: James Burton
Guitarra: John Wilkinson
Violão: Charlie Hodge
Violão: Elvis Presley
Baixo: Jerry Scheff
Bateria: Ronnie Tutt
Piano: Tony Brown
Piano Elétrico: Bobby Ogdin
Backing vocals: The Sweet Inspirations
Backing Vocals: J. D. Sumner e Stamps
Vocais: Kathy Westmoreland
Vocais: Sherrilll Nielsen

Joe Guercio e Orquestra

A seguir a capa do disco que eu ouvia ontem (isso me motivou a escrever o texto), eu ouvindo o disco de outro ângulo, algumas fotos do show e três vídeos: O do especial da CBS, o show de Rapid City e o show de Omaha. 
Texto Baratta, garimpagem de vídeos Thiago Gonzalez























domingo, 30 de março de 2014

Elvis Presley Day - Por Simone Fernandes

No dia 25 de fevereiro de 1961, foi decretado pelo governador de Tennessee, Buford Ellington, pelo prefeito de Memphis, Henry Loeb, como o dia de Elvis Presley.
Para esse grande acontecimento, foi organizado um grande almoço com duzentos e vinte e cinco convidados - custando 100 dólares o convite.
O almoço foi realizado no 'Claridge Hotel' ao meio-dia. Também neste grande dia, Elvis recebeu um prêmio da RCA, por 75 milhões de discos vendidos. Mais tarde, Elvis fez um show no 'Ellis Auditorium' (lungar onde fez seus primeiros shows em 1957), com o apoio de Scotty, DJ, Floyd Cramer, Randolpher Boots e The Jordanaires, além de Larry Owens Orchestra. Houve também uma matinê e espetáculo à noite.
Elvis vestia um smoking branco e calças pretas. Cantou músicas como: 'Heatbreak Hotel'; 'Love Me'; 'A Fool Such As I'; 'One Night'; 'Doin' The Best I Can'; além do seu sucesso mais recente 'Surrender' e encerrando com 'Houd Dog'.
O show também beneficiou com 51.612 doláres levantados para um grande número de instituições e o 'Elvis Youth Centre', em Tupelo.
Fonte: Os Arquivos de Elvis.
Adaptação de texto: Simone Fernandes.

sexta-feira, 14 de março de 2014

That´s The Way It Is (1970) - O filme!



A primeira lembrança que tenho com relação a esse filme é a primeira vez que vi a capa do VHS na vídeo locadora que eu era sócio e que ficava perto de casa. A foto não foi extraída do filme de 1970,mas o título “Elvis É Assim”, fez o meu amigo ao meu lado pertguntar “ É um filme ou documentário?”, e eu prontamente respondi com toda minha sabedoria: “E eu lá sei?”. 



Eu que conhecia Elvis apenas pelos discos, jamais poderia imaginar cenas como essas vistas nesse filme. Não se trata de um filme do seu período de 9 anos em Hollywood. Elvis brinca, ensaia, ri, bagunça o coreto, tenso em uma noite de estréia de temporada, ao mesmo tempo dando tudo de si, se entregando de corpo e alma, profissionalismo, originalidade e desenvoltura no palco em canções como “Polk Salad Annie”, “Bridge Over Troubled Water”, I Just Can´t Help Belevin” (letra no banquinho, sim! Muito antes de teleprompter de artista preguiçoso.

O filme é um importante filme/documentário que se divide entre ensaios na MGM, no próprio hotel, depoimentos de fãs, reunião de fãs clubes, com banda tocando músicas do Elvis, fãs chegando dos quatro cantos do mundo, depoimento de funcionários da gravadora, do International Hotel, o show, a recepção do público, etc. 



É o filme preferido de muitos fãs. “That´s The Way It Is” mostra Elvis em sua melhor forma, porém não tudo. Algumas sobras desse filme originaram um segundo home vídeo “The Lost Performances” com outtakes do TTWII e On Tour de 72 e uma edição especial em 2001 do TTWII. (em breve faremos uma postagem para esses três títulos). Mas como fã de Elvis sofre, ainda não é tudo. No mercado informal já apareceram “Patch It Up DVD”, (esse estava no you tube até pouco tempo atrás, TTWII Complete Works (10 dvds) isso em vídeo, porque em áudio a quantidade de material pra esse filme é imensa e assustadora.

O disco vamos comentar em outra postagem também.
Esse filme é recomendadíssimo e obrigatório para todo fã de Elvis. Eu usaria esse filme para apresentar Elvis a uma pessoa que ainda não conhece sua obra.
Da minha parte eu asssisti repetidas vezes na casa da minha avó, que tios meus as vezes perguntavam: Mas esse filme de novo? No meu interior eu pensava: Por isso que você é uma bosta de pessoa vazia, sem sal e quando nasceu os anjos devem ter chorado de desgosto. Sim, o sarcasmo ácido já dava os primeiros sinais.

O filme não tem história, não tem roteiro. Provavelmente devem ter chegado para Elvis e dito: “Seja você mesmo!”. Elvis dá destaque a sua banda, a TCB Band, Sweet Inspirations e The Imperials.

TÍTULO ORIGINAL Elvis, That’s The Way It Is
GÊNERO Musical
TEMPO DE DURAÇÃO 107 minutos
DATA DE LANÇAMENTO [EUA] Dezembro 1970
ORIGINAL Colorido
ESTÚDIO Metro-Goldwyn-Mayer
DIREÇÃO Denis Sanders
PRODUÇÃO Herbert F Solow






quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Elvis 1960 - 1963



Geralmente quem conhece um pouco que seja sobre Elvis Presley, vai quase sempre associar ele a rebeldia juvenil dos anos 50. Bem, esta é apenas uma face da verdade sobre o maior mito da música, hoje gostaria de explorar um pouco mais sobre outro Elvis, o Elvis que de certa forma, em minha opinião de fã, eternizou o Elvis Rebelde dos anos 50, estou falando do Elvis bom-moço, o Elvis que voltou em 1960 após dois anos de exército.
            Vamos aos fatos reais, primeiramente sabe-se, sem ilusões, de que Elvis foi para o exército americano em 1958, como parte de uma grande jogada de marketing, de seu empresário o raposão Coronel Parker, que queria exatamente isto, construir a imagem de um Elvis patriota, o perfeito americano, um artista que iria entreter a família e não apenas a juventude. Para que esta mudança ocorresse, seriam necessárias medidas, medidas estas que não viam apenas de Parker não, principalmente no que diz respeito a música que Presley começou a produzir no seu retorno do exército. O Rock mais cru e selvagem dos anos 50 deu espaço para um som mais dançante e mais leve, leve no sentido da mudança de timbre das guitarras usadas a partir de março de 1960, no acréscimo do sax a banda, além da presença de agora duas guitarras, uma rítmica mais grave, e outra mais aguda que geralmente se ocupava dos solos. Esta experiência com duas guitarras já havia ocorrido na sua última sessão nos anos 50 a sessão de junho de 1958, em Nashville, aliás a Cidade da música como é conhecida Nashville nos EUA, tem muito a ver com esta mudança também, Chet Atkins, excelente guitarrista era um dos responsáveis pelos arranjos de muitos artistas que gravavam em Nashville por fim dos anos 50, épica em que Elvis estava temporariamente “aposentado”, Atkins, sempre trabalhou como auxiliar de Steve Sholes, que era o produtor de Elvis na época, e ambos juntamente com o rei, aproximaram o som do chamado “Nashville Sound”, do qual Atkins era um dos mentores, que na época dominava a música feita no sul dos EUA, era um som mais leve e dançante, com mais instrumentos e vocalização mais marcante, Elvis aliou isto as suas raízes de R&B, e assim foi concebido todo o panorama deste novo som.
            Quando o assunto era Hollywood, Elvis seguia basicamente a mesma receita, salvo exceções como Blue Hawaii e G.I. Blues por exemplo, que exigiam canções com arranjos peculiares atrelados não apenas aos roteiros dos respectivos filmes como exigiam arranjos que por vezes refletissem a cenário, como o Hawaii,  ou o tema de cada filme, como canções com motivos militares e alemães no caso de G.I. Blues,e mesmo nestas condições Elvis seguia basicamente a mesma receita já que em Hollywood, ele não tinha Atkins e Sholes, cada trilha tinha seu próprio diretor musical, embora fosse Elvis quem comandasse tudo nos Estúdios de Thorn Nogar, a Radio Records, onde todas as trilhas deste período foram gravadas exceto Follow That Dream que foi registrada de forma rara em Nashville.
            Outra mudança no quesito música, vinha de uma questão fisiológica Elvis contava agora com 25 anos, e uma voz que só iria ficar mais e mais aveludada principalmente neste período de gravações entre 1960 e maio de 1963, e a curta porém significativa sessão de janeiro de 1964, período que encerra as sessões de Nashville, uma vez que de Viva lãs Vegas em diante Presley se dedicaria quase que exclusivamente as trilhas só voltando a cidade da música de fato em 1966 mas este é outro assunto, já que a “crise” desta fase começaria com a aparição dos Beatles em 1964, sendo que este também é outro assunto interessante e merece posterior apreciação em momento apropriado.
            O Elvis que voltou do exército estava diferente mais magro, loiro novamente e com um topete gigante, esta imagem porém duraria pouco, logo ele já estaria novamente em Hollywood e cortaria o cabelo voltaria a tingir ele de preto, e por falar em Hollywood La também seria o foco principal da mudança de atitude de Presley, agora seus filmes seriam quase que exclusivamente comédias açucaradas e leves e com cenários paradisíacos especialmente após o sucesso de Blue Hawaii em 1961, que sepultou qualquer chance de Presley tornar-se uma ator sério, já que após dois filmes de qualidade razoável e dramaticidade idem, “Flaming Star” e “Wild in The Country”, as bilheterias ditaram as ordens, Presley como um ótimo empregado da indústria do entretenimento, teria que seguir o que seus fãs da época queriam que era filmes e músicas leves....bem isto encheu os bolsos do astro de dólares mas foi a gênese de uma grave crise artística que só iria dar frutos por volta de 1965, mas este também é outro assunto.
Voltemos aos fatos, este novo Elvis, tinha muitos aspectos interessantes, sempre li na literatura sobre o rei, críticas a este período, que na minha opinião, é incrível, o período foi caracterizado por lançamentos de dois álbuns ano, sendo um trilha de algum filme mais divulgado na época e outro gravado por ele em Nashville que nada tinha de filme, o curioso é que entre 1960-62, os álbuns trilha vendiam mais que o dobro dos não trilha mostrando a RCA e a Parker o caminho que deveria ser seguido após 1962.
Bem, além disto, Elvis estava em seu período mais Mauricinho de todos, especialmente após Follow That Dream filmado em 1961 e lançado em 1962, Elvis agora usava brilhantina nos cabelos mais curtos e bem aparados em 1963 ele começaria com o  Fixador de cabelo sem brilho molhado.
O período foi marcado também por muito sucesso, na parada de singles, grandes Hits de sua carreira vieram do período, como “Its Now Or Never”, “Are You Lonesome Tonight”, “His Latest Flame”, “Cant’ Help Falling in Love”, “Return To Sender” “Devil In Desguise”.
Agora retorno ao inicio para defender meu ponto de vista. Por que razões este novo Elvis engomadinho, e polido ajudaria a eternizar o Elvis Rebelde de alguns anos antes?? Bem Parker foi esperto ao ampliar o público do rei, ao deixar os adolescentes rebeldes, que logo logo seriam pais, Elvis ampliou o público não apenas para os adolescentes mas também para os pais destes que agora tinham um astro comportado para os filhos idolatrarem, sendo que estes mesmos pais poderiam agora também ver valor neste mesmo artista. As crianças também começaram a gostar do rei, que agora fazia filmes em que elas apareciam mais, vira e mexe Presley cantava alguma canção, para elas, e até mesmo teve co-stars infantis nesta época, como a Su-Lin de “It happened at the world’s fair”, ou o Raoul de “Fun In Acapulco”,  ou seja aqui Elvis começou a moldar o seu futuro que perdura até hoje, o de símbolo americano um artista que transcendeu seu tempo, durante o seu tempo, já se perguntaram o que aconteceria se Elvis seguisse rebelde como nos anos 50?? O que seria dele nesta época de 1960?? Provavelmente ele viveria de revivals como Chuck Berry por exemplo, sendo que aqui em sua primeira reinvenção, ele foi além inclusive do rock, o novo Elvis não cantava apenas rock, ele cantava de tudo, de rock à baladas açucaradas com uma voz de ouro, canções com pegada latina, e traduções para o inglês de óperas italianas,  é bem verdade que esta fase teria sua crise mas nada que ele não pudesse driblar e novamente se reinventar, aqui esta a gênese de toda a durabilidade da carreira dele, aqui esta a primeira reinvenção de Elvis Presley,  que deixou de ser um ídolo rebelde para começar a se tornar um ídolo mais requintado e focado aqui neste período no cinema, ajudando a eternizar sua imagem como um artista profissional e completo, cuja carreira dura até os dias de hoje conquistando novos fãs como este que vos fala, que aliás ama de paixão este período do eterno rei do rock!
Texto Daniel Tessari